De Uma Coisa Tenho Certeza: É CRISE DE CERTEZA!
OU COMPREENDER COMO COMPREENDO A CRISE?
Tudo no mundo contém sua dose de incoerência, buscar a dose certa parece ser a busca da incoerência perdoada: mais incoerente, menosincoerente, são as opções que encontramos em oposição à coerência total, um estado cada vez mais raro. É natural que você me critique e diga que não existe uma posição mais ou menos, incoerente: se é incoerente não é coerente e ponto final. Você pode me dizer que a coerência, assim como a honestidade, não é valor possível de medição, não se curvará a um índice, a uma métrica.
Verdade?
Não sabemos. No mundo de hoje há índices novos editados a cada dia. Por exemplo, existe um Ranking de Países Corruptos e se existe o Ranking a corrupção deixou de ser um desvalor absoluto e curvou-se à métrica, pode ser medida, esta sendo medida pelo índice.
Senhores, nada mais é absoluto a muitos e muitos anos… E porque estou dizendo tais coisas? Simples: porque preciso alinhar o conceito de que nada é absoluto para prosseguir. Se você é dia ou noite, terra ou mar, adepto radical a qualquer espécie de seita (política, religiosa, cultural, ideológica) desista, este texto não lhe serve.
Nem mesmo a Crença na Crise é absoluta. Utilizo a expressão Crença na Crise e evito falar simplesmente “crise”, porque o que temos é uma Crise de Certeza, uma Crise de Confiança.
Uma sentença estóica explica o que o meu texto complica:
- Paciência para agüentar aquilo que não pode ser mudado;
- Coragem para mudar aquilo que pode ser mudado;
- Sabedoria para distinguir um do outro”.
A Crença na Crise contaminou o ânimo da sociedade produtiva (e também da improdutiva que vive às custas da primeira e tem por hobby criticá-la por tudo, inclusive pela crise)?
Esta semana atendi a um cliente, cuja indústria produz equipamentos para a dois segmentos: a construção civil e a infra-estrutura. Vida boa a minha: recebo o cliente, ele fala eu escuto, eu falo ele escuta, compartilhamos nosso conhecimento, falamos o que sabemos e aprendemos o que esta nos sendo ensinado. Depois levantamos, nos despedimos e de pronto estou fortalecido para a atender a outro que chega ao Instituto, para deixar algum conhecimento e levar outros. Vida a boa a minha de Dr. Negociação.
Ele disse que “janeiro foi fraco”, como vem a ser todo janeiro para o negócio dele. Logo, sua indústria aproveitou para retificar a frota de equipamentos que aluga (pois industrializa e vende produtos novos, assim como aluga um acervo próprio);
Então, ao invés de chorar, prepararam os produtos destinados a locação para que estando em melhor estado, consigam melhor mercado: estão afiando suas ferramentas, sem choro nem lágrimas, com razão!
Fevereiro, se concluírem a reforma da frota e não estiverem tomados com novos pedidos, aproveitarão para dar uma manutenção na indústria e com isso melhorar a performance do equipamento para quando o mercado voltar à toda.
Todavia, o departamento comercial já está recebendo novas encomendas, de forma que registra um fevereiro igual ao do ano anterior.
Mas, como todos só falam em crise, crise, crise, a política que adotou é derivada do momento pré-crise: antes, quando todos falavam que iria faltar chapas de aço no mercado interno, conveteram todos as suas disponibilidades financeiras em estoque, estoque, estoque. O estoque era uma medida de segurança para o caso de uma crise de excesso de demanda (lembra-se? era o que se temia, não havia cimento no mercado, aeroportos e portos congestionados, energia sob alerta….).
Observe, se antes a grita era pela crise de matéria prima, converteu todo o estoque de dinheiro da empresa em matéria prima.
Agora, tudo que for produzir em março e abril o fará com a matéria prima acumulada: converterá estoque de matéria prima em estoque de dinheiro e, só depois, irá ao mercado fazer novas compras.
Percebe?
A empresa continua a mesma, o nível de atividade exatamente o mesmo. A Crença na Crise de agora substitui a Crença na Crise anterior e cada qual provocou um comportamento tático específico.
Enquanto isso, no dia 06, a USIMINAS publicou um comunicado no qual chama a atenção do Sr. Presidente da República pela queima de estoques no mercado interno com a venda de chapas de aço a preços abaixo dos custos de produção, o que o meu cliente disse ser fenômeno quase que cíclico, volta e meia acontece no mercado brasileiro: nada de novo, conforme sua experiência. Mas, as chapas voltarão ao seu preço normal quando o meu cliente terminar de consumir seus estoques, neste momento terá convertido novamente o estoque de chapas em capital de giro e…. irá ao mercado fazer compras.
E quando ele for ao mercado comprar, seus concorrentes estarão indo também. Então o que acontecerá com os preços das chapas de aço?
Assim neste segmento, assim em outros. Então haverá uma falha no gráfico do faturamento, que cai e em seguida se restabelece. Esta falha provocará falha nas relações contratadas, um ruído. A ruptura de um processo exigirá muita negociação para não significar ruptura de contratos, de relações. E negociar faz parte da história da civilização, afinal foi negociando que saímos da barbárie e construímos a civilização.
Enquanto aguarda o re-alinhamento dos corações e mentes tomados pela Crença na Crise, afia as ferramentas.
Estou fazendo o mesmo: preparando minha equipe, renovando o conteúdo de nosso programa, dando os toques finais na redação do novo livro e, atendendo a uma demanda crescente, estou negociando, negociando, negociando: pois nunca antes uma boa dose de Dr. Negociação foi tão necessária para evitar o pior.
E você? Afiou suas ferramentas? Ajustou os seus formatos?
E você? Paralizou? Virou estátua?
Como está contribuindo, no mínimo com você mesmo?
Fonte: Adequacao/blog
15/02/2010